Dançando no Escuro emociona plateia na FITA

Dançando no Escuro emociona plateia na FITA

A história da operária tchecoslovaca radicada no Estados Unidas e condenada à morte injustamente lotou o Palco Sesc na noite desta terça-feira na 13ª edição da Festa Internacional de Teatro de Angra. Selma, personagem vivida pela cantora Börk no cinema e interpretada brilhantemente por Juliana Bodini na montagem brasileira, tem uma doença genética que está a deixando cega. O espetáculo contou na plateia com 12 atores cegos integrantes da Cia de Teatro Eu Faço de Olhos Fechados, coordenado por Kelly Oliveira.

– Quando entrei na secretaria de cultura fui trabalhar no Conselho do Direito da Pessoa com Deficiência e eles manifestavam o interesse de fazer cursos de teatro. As pessoas não sabem muito bem como lidar com o cego e montamos uma peça bem-humorada falando sobre esse tema – conta Kelly Oliveira, professora no curso.

Na peça, Selma trabalha numa fábrica dia e noite para juntar dinheiro e pagar a cirurgia do filho, também condenado pela doença. Os dois moram sozinhos num trailer alugado por um policial e sua esposa. Apesar de todas as dificuldades, Selma é uma sonhadora e amante dos musicais hollywoodianos. A apresentação contou com mil pessoas na plateia e foi o maior público da peça até o momento.

“Foi a melhor experiência que tivemos, foi apoteótico ver a reação da plateia com a nosso protesto”, diz a atriz e idealizadora do projeto Juliana Bodini se referindo ao momento onde reclamam do não pagamento do edital Fomento Carioca, prometido pela prefeitura do Rio de Janeiro”.

Responsável pela direção da peça, a atriz Dani Barros não pensou duas vezes topou o desafio por se tratar de uma peça que fala sobre a falta de escuta e o capitalismo selvagem.

“Estamos vivendo um desmonte da cultura, um momento muito importante do brasil, com a possiblidade de voltar a uma ditadura. É um momento muito delicado e a peça fala muito sobre isso”, Conclui Dani.

Mais cedo, a Sessão Fitinha contou com três apresentações lotadas da peça “A Menina e a Árvore” , da Cia de Teatro Manual e as apresentações da 1ª Mostra Paralela, realizada na Casa Larangeiras e no Teatro Municipal.